Conheça os principais países produtores de vinhos

    Você como bom brasileiro já deve ter experimentado vinho chileno. Não tenho dúvida! O Chile é o maior exportador de vinhos para o Brasil, na sequência, em segundo lugar, estão nossos hermanos da Argentina, isso ocorre pela proximidade territorial de ambos. Em terceiro lugar vem Portugal, por produzir vinhos que agradam muito o paladar dos brasileiros.

    Continua depois da publicidade

    Na coluna de hoje vamos falar de 12 países que, juntos, produzem cerca 80% do vinho mundial. Na Adega do Aqui é o lugar certo para aprimorar seu conhecimento. No mundo são mais de 90 países que produzem vinhos. Listei os 12 principais países que fornecem vinhos para o Brasil que você pode encontrar em redes de supermercados, adegas e restaurantes.

    Vamos falar sobre cada um desses países, por ordem de variedade disponível no mercado brasileiro. Você, que busca no vinho um estilo de vida mais saudável, mas muitas vezes não sabe por onde começar, precisa apenas de algumas dicas importantes que vão te ajudar na hora de escolher um vinho. Fiz um apanhado de algumas informações relevantes que você precisa saber para elevar seu conhecimento em vinhos.

    Antes de falar sobre qualquer país, o Brasil está entre os países promissores, mas não entra na lista dos principais países produtores. Mas como bom brasileiro que somos, precisamos conhecer um pouco mais sobre as nossas regiões produtoras. Listei 20, algumas produzem vinhos finos, outras são responsáveis pela produção de vinhos de mesa, suco de uva e uvas para consumo in natura, aquelas encontradas nos supermercados. Vou falar um pouco sobre cada uma delas abaixo.

    Curiosidade:
    Para você que já é um apreciador de vinhos é importante saber que 85% dos vinhos finos produzidos aqui no Brasil vêm da Serra Gaúcha, o restante se divide nas outras regiões. O Brasil faz parte do Novo Mundo onde a produção de vinho ainda é recente comparada a países do Velho Mundo como França, Alemanha, Espanha e Portugal, que estão na nossa lista dos 12 principais países produtores de vinho.

    Brasil
    Regiões Produtoras de Uvas no Brasil, por estado:

    Rio Grande do Sul – RS

    Campanha Gaúcha
    Ao mesmo tempo em que abrigam alguns dos mais antigos vinhedos do Brasil, as pequenas planícies e colinas da porção meridional do Rio Grande do Sul, já na fronteira com o Uruguai, vêm recebendo jovens e audaciosos investimentos. Essa concentração de extremos não tira da Campanha o prestígio, pois é uma grande aposta do setor no país. Os dias longos, com grande período de luminosidade para as plantas e a grande variação de temperatura entre o dia e a noite beneficiam o cultivo das videiras. As condições favoráveis são complementadas pelo solo, rico em granito e calcário.

    Serra do Sudeste
    Descoberto na década de 1970, o potencial vitícola na Serra do Sudeste levou cerca de 30 anos para ganhar vulto. Foi a partir dos anos 2000, com a abertura de investimentos na região por parte de renomadas vinícolas da Serra Gaúcha, que o país voltou sua atenção para os vinhos elaborados com uvas de lá. Desde então, ela é apontada como uma das mais promissoras zonas produtoras brasileiras. Curiosamente, a Serra do Sudeste abriga pouquíssimas cantinas. O relevo suavemente ondulado serve de sede quase que exclusivamente para vinhedos. A maior parte das uvas é transportada, geralmente à noite, até outras regiões do Rio Grande do Sul, onde é vinificada. No entanto, com o crescimento de sua importância no cenário enológico nacional e com o surgimento de empreendimentos locais voltados à produção de uva, essa situação deve sofrer mudança em um futuro breve.

    Região Central
    Estima-se a existência de cerca de 130 hectares de vinhedos na região, basicamente cultivados com as variedades Goethe e Bordô, aproximadamente 50% de cada. Todo o vinho produzido em Jaguari, cujo volume estimado varia de 700 mil a 1 milhão de litros/ano, é comercializado na região.

    Serra Gaúcha
    É a maior e mais importante região vinícola do Brasil, respondendo por cerca de 85% da produção nacional de vinhos finos. Aproveita-se do solo basáltico e do clima temperado, úmido, com noites amenas, para cultivar uvas com personalidade forte. A Serra Gaúcha abrange hoje as quatro áreas de produção enológica certificadas do país. O Vale dos Vinhedos, que ocupa 72,45 quilômetros quadrados entre as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul foi pioneiro ao buscar a Denominação de Origem (DO) para seus rótulos. Seguindo seus passos, os municípios de Pinto Bandeira e Monte Belo do Sul conquistaram a Indicação de Procedência (IP) para os rótulos lá elaborados, assim como a região dos Altos Montes, que abrange as cidades de Flores da Cunha e Nova Pádua.

    Campos de Cima da Serra
    Por muito tempo, a região dos Campos de Cima da Serra ficou à sombra da Serra Gaúcha. A predominância do cultivo de variedades híbridas e o clima frio e ventoso eram encarados como entraves para o desenvolvimento de grandes vinhedos. Atualmente, no entanto, o cenário é o oposto. A baixa temperatura e a incidência constante do vento foram transformadas em diferenciais, pois propiciam uma maturação mais longa e condições para que as uvas viníferas apresentem excelente sanidade. As iniciativas de empresários que se aventuraram em elaborar vinhos na região foram recompensadas com grandes rótulos, hoje nacionalmente conhecidos por sua qualidade.

    Alto Uruguai
    Zona produtora em processo de descobrimento Alto Uruguai testemunha um ciclo precoce de suas videiras, já a partir de janeiro. Com isso, evita a vindima durante o período de chuva, algo que sempre é celebrado quando se trata da produção de vinhos.

    Santa Catarina – SC

    Litoral Sul
    A vitivinicultura da região carbonífera, no sul do Estado de Santa Catarina, está concentrada nos municípios de Urussanga, Pedras Grandes e Morro da Fumaça. Se consolidou a partir do cultivo da variedade de uva Goethe, com a qual é elaborado um vinho típico da região. Essa tipicidade rendeu à região o reconhecimento com Indicação de Procedência (IP) para os vinhos feitos com a variedade.

    Planalto Catarinense
    A identidade dos vinhos desta região é moldada pela altitude. Zona produtiva mais alta do país, entre 900 e 1,4 mil metros acima do nível do mar, o Planalto Catarinense tem solo basáltico que confere complexidade a seus tintos, brancos e espumantes. No clima temperado e úmido, as temperaturas são bastante baixas, principalmente à noite. Esse fator influencia no calendário de colheita. Lá, as videiras apresentam desempenho tardio, e as uvas só ficam maduras entre março e abril.

    Vale do Rio Tijucas
    A região é reconhecida pela tradição na produção de uvas e na elaboração/comercialização do vinho colonial e do suco de uva. A estrutura produtiva vitivinícola da região conta com aproximadamente 60 hectares de videiras no município de Nova Trento e 90 hectares no município de Major Gercino, com predominância das cultivares de Vitis labrusca.

    Paraná – PR

    Grande Curitiba
    Concentrada nos municípios de Colombo, São José dos Pinhais e Campo Largo, a vitivinicultura na Região Metropolitana de Curitiba se origina na colonização italiana. A estrutura da produção vinícola mantém-se elaborando vinhos e sucos de uva que são comercializados localmente, com o apoio de um bem organizado programa de turismo, ancorado na vitivinicultura e complementado pela gastronomia regional.

    Norte do Paraná
    Nesta região, concentrada entre os municípios de Londrina, Marialva, Maringá, Rolândia e outros adjacentes, onde tradicionalmente predomina a produção de uvas finas de mesa, é verificada nos últimos anos uma diversificação da produção. No município de Maringá também são produzidos vinhos finos e vinhos de mesa, em pequena escala.

    Oeste do Paraná
    O Oeste Paranaense tem o seu centro na cidade de Toledo. Variedades tintas pouco exploradas em outras partes do Brasil, como Tempranillo, Sangiovese e Negro Amaro, vêm demonstrando ótima adaptação a esse novo terroir brasileiro.

    São Paulo – SP

    Leste de São Paulo
    O sistema de produção de uvas no Leste de São Paulo (São Roque, Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Atibaia, etc.) ainda é o tradicional, seja para a produção de vinhos, seja para a produção de uvas de mesa. Nesta região, predomina a produção de uvas em pequenas propriedades que se utilizam da mão-de-obra familiar. Ainda existe nesta região um considerável número de pequenas vinícolas produtoras de vinhos artesanais. Como novidade, registram-se algumas novas iniciativas no sentido da produção de vinhos finos.

    Noroeste de São Paulo
    A viticultura da Região Noroeste de São Paulo desenvolveu-se a partir da década de 1980, com base na produção de uvas finas de mesa, tendo como polo referencial o município de Jales. O clima da região apresenta uma estação seca, de abril a outubro, e uma estação chuvosa, de novembro a março. Não há frio hibernal suficiente para induzir à dormência prolongada da videira, o que possibilita a obtenção de duas colheitas/ano.

    Goiânia – GO

    Santa Helena de Goiás
    As principais iniciativas de empreendimentos vitivinícolas em Goiás estão nos municípios de Santa Helena de Goiás, Paraúna e Itaberaí. Os projetos implantados nestes três municípios como base o cultivo de uvas americanas e híbridas, com foco na produção de vinho de mesa e suco de uva.

    Mato Grosso – MT

    Nova Mutum
    A viticultura foi introduzida como atividade comercial no Estado de Mato Grosso no final da década de 1990, quando descendentes de italianos que imigraram do Rio Grande do Sul implantaram parreirais das cultivares Niágara Rosada e Patrícia, para a produção de uvas de mesa, nos municípios de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Primavera do Leste. A colheita é realizada no período de meados de junho a setembro.

    Minas Gerais – MG

    Sul de Minas
    A viticultura da região Sul do Estado de Minas Gerais, ao longo da história, consagrou-se como produtora de vinhos de mesa, elaborados com as variedades Bordô, localmente chamada de “Folha de Figo”, Jacquez e Niágara, tendo como principais produtores os municípios de Caldas, Andradas e Santa Rita de Caldas. Embora de forma ainda pouco organizada e baseada em iniciativas isoladas, a exploração da atividade do enoturismo já é uma realidade.

    Espírito Santo – ES

    Região Serrana
    Este polo vitivinícola é privilegiado por uma paisagem com grandes belezas naturais, o que propiciou, a partir de programas oficiais, a organização e o desenvolvimento do turismo regional. Neste contexto, a uva, o vinho e outros derivados, como o suco de uva e a gastronomia, constituem os principais atrativos. A crescente venda direta aos turistas, associada às oportunidades de comercialização dos produtos na grande Vitória, estimulou, em anos recentes, a retomada da vitivinicultura, tanto para a venda de fruta in natura como para a produção de vinhos e suco de uva. Na Região de Santa Tereza a Vinícola Tabocas se destaca na produção de vinhos finos.

    Bahia

    Vale do São Francisco
    Experiência única no universo enológico, a viticultura do semi-árido tropical desperta curiosidade no mundo todo. A capacidade produtiva das videiras é determinada pelo manejo, e não pelo clima, sempre seco e quente. Cada planta gera duas safras por ano, em ciclos de 120 a 130 dias. O período de repouso das vinhas é induzido pela irrigação artificial e dura de 30 a 60 dias. O solo, abastecido com água do rio São Francisco, apresenta grandes depósitos de sedimentos rochosos. O alto índice de insolação produz uvas com elevado nível de açúcar, resultando em vinhos bastante frutados.

    Confira agora informações importantes sobre os principais países produtores de vinho que você consegue encontrar no mercado Brasil. Vamos explorar juntos o que cada país têm para oferecer.

    Chile

    1º lugar na preferência dos brasileiros, ocupa o maior espaço nas prateleiras dos supermercados. Uvas como Carmenere, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Sauvignon Blanc são as mais encontradas, mas você encontra outras variedades de uvas. Todo país tem uvas que se adaptam com mais facilidade e muitas vezes são plantadas em várias regiões. Muitos países possuem uvas autóctones, que são uvas nativas do país, como as francesas Merlot, Malbec, Syrah, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc que se tornaram internacionais, por se adaptarem em muitos países. É claro que cada região possui um terroir único, o que dá características diferentes ao vinho. E o encantamento do mundo do vinho é conhecer através de uma degustação bem feita, as diferenças entre cada garrafa. Lembrando… cada região é única e por isso um pé plantado a poucos metros um do outro dependendo do solo, altitude, clima, alem é claro, da safra que foi colhida podem trazer características diferentes aos vinhos. É importante você conhecer como são feitos os vinhos. Existem diferentes métodos de produção que podem influenciar no final, por isso não deixe de buscar informações sobre o processo de produção de vinhos espumantes, vinhos brancos, vinhos rosès, vinhos tintos e também os vinhos de sobremesa.

    Voltando ao Chile…

    O Chile é dividido em três áreas: Costa Litorânea, Vales e Andes. Conheça agora as principais regiões produtoras do Chile:

    A Região do Vale Central, onde está localizada a maior parte da produção no Chile, possui sub-regiões famosas como Vale do Maipo, Vale do Curicó, Vale do Conchagua e Maule. Essas regiões são conhecidas pelos seus Blends frutados ao estilo de Bordeaux. Mas também são fortes na produção de vinhos com as uvas Carmenere, Carignan, Petit Verdot e Syrah.

    Quando se fala dos vinhos produzidos na base da Cordilheira dos Andes, regiões mais altas, são produzidos vinhos tintos com taninos estruturados, e em boas safras, oferecem aromas marcantes de frutas maduras e acidez intensa.

    A Região de Coquimbo e Aconcágua, localizadas mais ao norte, engloba tanto vinícolas na Costa litorânea produzindo vinhos brancos como também nos Vales, responsáveis por excelentes rótulos de Syrah. Já na Região do Aconcágua vamos dar destaque para o Vale de Casablanca, onde podemos encontrar vinhos brancos, como o Sauvignon Blanc de extrema qualidade.

    Não vamos esquecer também da Região Sul e Austral, ambas fortes na produção de vinhos brancos como Chardonnay e Sauvignon Blanc com toques minerais e acidez marcante, além de Pinot Noir suculentos.

    Agora que você conhece um pouco mais sobre as uvas e regiões produtoras do Chile, daqui pra frente quando você ler um rótulo você vai conseguir entender que aquele vinho que você gostou do rótulo era um Blend, da região do Vale Central, sub-região Vale do Maipo, produzido por uma vinícola que um amigo comentou que havia visitado em sua viagem ao Chile, a safra era 2014, mesmo ano da viagem dele, então aquele vinho poderia ser uma boa opção e estava com um preço que encaixava no seu orçamento. Analisando o rótulo, ficou sabendo que o vinho havia passado por 16 meses em barricas novas de Carvalho Francês, e você adora um toque de madeira no vinho. Pronto. Aquele vinho poderia ser uma excelente opção de compra. Agora, é hora pensar no cardápio para fazer uma bela harmonização. Está vendo como muitas coisas podem fazer a diferença na hora da compra? Quando você tem uma noção sobre cada país fica muito mais fácil. Gostou das dicas? Deixe um comentário depois que finalizar sua leitura.

    Argentina

    Quando falamos em Argentina vamos sempre lembrar da uva Malbec, mesmo sendo de origem francesa, caiu como uma luva nos solos da Argentina, se adaptou muito bem, ganhou relevância internacional e por isso hoje é a principal uva plantada no país.

    Curiosidade:
    A Argentina é responsável por 75% dos vinhos Malbec no mundo.

    Culinária:

    Experimente uma tradicional Parrillada Argentina (Bife de Chorizo, assado de Tiras (costelinha), carré de Cordeiro, coxa e sobrecoxa de frango assadas, linguiça, e as típicas morcilla e molleja) com um vinho Malbec, depois conta aí como foi sua experiência. No Brasil temos muitas casas especialidades na culinária Argentina e a pedida certa sempre será um Malbec. Outra uva famosa cultivada por lá é a branca Torrontés, a região de Salta se destaca pelos seus vinhos com aromas florais e elegantes.

    Portugal 

    Portugal é muito conhecido pelos Vinhos do Porto, bebida fortificada produzida com uvas provenientes exclusivamente da Região Demarcada do Douro, mas também produz vinhos secos. Portugal se destaca por possuir mais de 200 uvas autóctones e possui 13 regiões produtoras. Se destacam o Vale do Douro, Minho, onde se produz o vinho verde, vinho branco ou rosè muito consumido pelos brasileiros. Além de outras regiões como Beira Interior, Lisboa, Alentejo, Dão, Tejo/Ribatejo, Setúbal, Beira Atlântico, Terras de Cister, Algarve, Transmontano e Madeira. Essas são as 13 regiões produtoras de Portugal, alguma faz sentido para você? Já ouviu falar? Cada região é responsável por produzir tipos de uvas, alguns tipos são produzidos em todo o território. As uvas Arinto e Tempranillo são dois bons exemplos.

    Outras uvas conhecidas de Portugal: Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Trincadeira, Fernão Pires e Alvarinho, sem esquecer, é claro, das outras duzentas! Tá vendo como é enorme o mundo do vinho? Por isso precisamos saber onde estão os melhores vinhos. A única forma de conhecer é experimentando ou estudando! O Brasil é um grande consumidor dos vinhos de Portugal, você sempre vai encontrar muitas opções disponíveis. Por isso, foque numa região ou tipo de uva e vá desbravando os vinhos de Portugal.

    Curiosidade:
    A uva Tempranillo é conhecida como “Aragonez” no Sul e “Tinta Roriz” no Norte de Portugal. Vinhos produzidos com esta uva oferecem aromas defumados, de frutas vermelhas, especiarias como canela e chocolate meio amargo.

    França

    A França para o consumidor iniciante não é fácil, você precisa de tempo para conhecer um pouco mais sobre a história, regiões e sub-regiões. A França precisa ser desbravada aos poucos, dentre todos os países acredito seja o mais complexo, e também por possuir os vinhos mais caros, por isso, acredito que não está na lista de prioridades para a maioria dos consumidores brasileiros. Para consumidores avançados é um parque de diversões. Os bons vinhos franceses não são baratos, algumas safras, como a de 1945, foram arrematadas por milhares de reais.

    Curiosidade:
    Você não deve saber por que vinhos da Safra de 1945 chegaram a valores astronômicos? Vou te contar uma história.

    A casa de leilão Sotheby’s de Nova York presenciou um momento histórico no último dia 13 de outubro de 2018: durante o leilão de vinhos pertencentes à coleção pessoal de Robert Drouhin, diretor da famosa maison Joseph Drouhin, o lote nº 84, contendo uma garrafa regular (750 ml) de Romanee-Conti da safra 1945 alcançou a inacreditável cifra de US$ 558.000, a bagatela de 2,6 milhões de reais.

    Esses valores astronômicos podem ser explicados, em parte, pela excepcional raridade dos Romanées-Conti dessa safra: míseras 600 garrafas (algo com duas barricas) foram elaboradas em 1945, as últimas oriundas das antigas videiras existentes naquele vinhedo, posteriormente arrancadas para dar vez a novas plantas.

    Como você pode ver, os vinhos franceses valem mais que ouro e estão sempre entre os vinhos mais caros do mundo. O legado, a história da marca e o mercado são os fatores para esses vinhos valerem tanto.

    Por isso ao invadir a sessão dos franceses procure sempre uma adega especializada, com um profissional Sommelier que possa te auxiliar na compra de um exemplar que agrade o seu paladar e bolso. Dizem que vinhos franceses de que custam em média R$ 100 podem ser comparados aos Chilenos de R$ 30. Vai pagar pra ver?

    Vou listar algumas das principais e famosas regiões para você não se perder quando buscar por um vinho francês por ordem de tamanho:

    • Languedoc-Roussillon
    • Bordeaux
    • Vale do Rhône
    • Vale do Loire
    • Sudoeste
    • Provence
    • Champagne
    • Borgonha
    • Beaujolais
    • Alsácia
    • Córsega

    Em outra oportunidade, quem sabe não falo mais sobre cada uma dessas regiões.

    Espanha 

    Espanha é um país forte na produção de vinhos. Possui mais de 1 milhão de hectares plantados. Por possuir um território grande podemos dividir em trê áreas climáticas.

    O noroeste, conhecido como Espanha Verde, possui clima fresco e produz vinhos de alta acidez, aromas minerais e de fruta azeda.
    Uvas mais plantadas na região: Albariño e Mencía.
    Regiões produtoras: Galiza e País Basco.

    O Norte da Espanha possui clima moderado. Os vinhos dessa região têm acidez média, aromas minerais e de fruta madura.
    Uvas mais plantadas na região: Cava, Verdejo, Garnacha (Grenache), Carignan e Tempranillo.
    Regiões produtoras: Castilla y León, Rioja/Navarro, Aragón e Catalunha.

    Ao Sul com clima quente os vinhos possuem acidez média, aromas de frutas doces e argila com leve rusticidade.
    Uvas mais plantadas na região: Garnacha (Grenache), Monastrell (Mourvèdre) e Xerez.
    Regiões produtoras: Estremadura, Andaluzia, Castilla-La Mancha, Valência e Ilhas Canárias.

    Curiosidade:

    Classificação dos vinhos espanhóis:

    Uma característica dos vinhos espanhóis que se diferencia muito de outros países é a classificação. No país, ela está diretamente atrelada ao tempo de estágio que a bebida passa na vinícola antes de ser comercializada.

    Vinho Joven
    Como o nome sugere, são vinhos que são comercializados ainda jovens, geralmente no ano presente ou seguinte da colheita. Além disso, raramente apresentam estágio em barrica, justamente por esse pouco tempo em que são colocados no mercado.

    Vinho Roble
    Trata-se da classificação mais simples dos vinhos barricados espanhóis. Obrigatoriamente, devem ter até seis meses de estágio em barrica.

    Vinho Crianza
    Os vinhos Crianza, seguindo a regulamentação espanhola, devem passar por um estágio de, no mínimo, dois anos. De um total de 24 meses, ao menos 6 meses devem passar em barrica de carvalho.

    Reserva
    A lógica dos vinhos Reserva é similar à dos Crianza, porém com prazos diferentes. O tempo mínimo de estágio é 36 meses, e desses, 12 devem ser em barrica de carvalho.

    Gran Reserva
    Vinhos Gran Reserva devem ficar por 60 meses na vinícola, e pelo menos 18 em barrica de carvalho.

    Itália 

    A Itália é conhecida pelos seus vinhos rústicos. O país pode ser dividido em três principais áreas, cada uma com um clima diferente.

    Região Norte possui clima fresco. Os vinhos dessa região tem maior acidez, aromas de frutas frescas e ervas.
    Uvas mais plantadas na região: Proseco, Franciacorta, Trento, Moscato D’asti, Pinot Grigio, Soave, Barbera, Valpolicella e Barolo (Nebbiolo).
    Regiões produtoras: Piemonte, Liguria, Valle d’Aosta, Trentino-Alto Adige, Friuli-Venezia Giulia e Vêneto.

    A Região Central possui clima moderado e seus vinhos tem maior acidez, aromas de frutas maduras, couro e barro.
    Uvas mais plantadas na região: Lambrusco, Vermentino, Chianti (Sangiovese), Supertoscanos, Montepulciano e Vin Santo. Regiões produtoras: Toscana, Umbria, Lazio, Emília -Romagna, Marche, Abruzzo,

    A Região Sul e Ilhas possuem clima quente. Os vinhos dessa região possui acidez média, aromas doces de frutas e de couro.
    Uvas mais plantadas na região: Vermentino, Cannonau (Grenache), Primitivo, Negroamaro, Nero D’avola e Marsala.
    Regiões produtoras: Puglia, Campanha, Basilicata, Calábria, Sicília e Ilhas Sardenha.

    Alemanha

    A Alemanha é uma região produtora de clima frio, conhecida pela produção de Riesling. No Brasil não existem muitos rótulos a disposição, mas você pode encontrar algumas boas opções para você matar sua curiosidade. Vamos falar das principais uvas encontradas na Alemanha.

    Uvas mais produzidas da Alemanha:

    Riesling: principal uva alemã, conhecida por produzir vinhos aromáticos, cujo estilo pode variar de seco até vinho doce conhecido como vinho de gelo ou “eiswein”.

    Müller-Thurgau: vinho branco aromático, simples, com notas florais e de pêssego, apresentando muitas vezes um toque adocicado.

    Pinot Noir: o Pinot Noir produzido na Alemanha possui aromas de cranberry, cereja e notas sutis de terra. Muitas vezes são comparados aos tintos da Borgonha.

    Dornfelder: vinho tinto simples de corpo médio, com aromas doces de frutas vermelhas, notas herbáceas, taninos médios e acidez picante.

    Pinot Gris e Pinot Blanc: vinhos com aromas de pêssego branco, frutas cítricas e notas sutis de favo de mel.

    Silvaner: vinho branco seco e leve, com alta acidez e aromas de raspas de frutas cítricas maçã verde.

    Os vinhos da Alemanha são muito interessantes, sempre muito aromáticos. Podemos observar que o frio é um elemento que dá ao vinho maior acidez e aromas de frutas frescas. Lembrando que a Alsácia, na França, é a 2ª região produtora de Riesling no mundo, perdendo para Alemanha, o que ainda gera muita discussão sobre a origem dessa uva.
    A Riesling está entre as Top 3 quando falamos em vinhos brancos, esta ao lado da Sauvignon Blanc e a rainha Chardonnay.

    Agora que você já sabe a importância dessa uva, que tal explorar os Riesling pelo mundo? Minha sugestão é começar com os Brasileiros, que tem ótimo custo benefício, depois você explora os vinhos produzidos na Alemanha, França e Austria, que também é famosa por produzir a uva Riesling.

    África do Sul

    África do Sul ainda está um pouco distante dos brasileiros, você encontra, mas não muitos rótulos. Mas existe, está lá, vale a pena experimentar o que a África do Sul tem para oferecer.

    Principais regiões produtoras: Stellenbosch, Paarl, Swartland, Robertson, Breedekloof, Olifants River Valley, Worcester, Orange River Valley e Klein Karoo.

    Uvas mais produzidas na África do Sul:

    Chenin Blanc: uva francesa que virprincipal uva do país oferece estilos diferentes. Fresco e frutado; encorpado e sem madeira; encorpado e amadeirado; muito doce; é um espumante chamado Cap Classic.

    Cabernet Sauvignon: Vinhos encorpados e herbários com aromas de pimenta-do-reino, cassis e notas minerais de grafite e argila.

    Pinotage: Características encontradas nesses vinhos são aromas de amora-silvestre, framboesa e calda de ameixa, com final agradável de sweet tabacco.

    Syrah: Os vinhos Syrah são encorpados, com aromas picantes de pimenta-do-reino, alcaçuz, framboesa e calda de ameixa.

    Chardonnay: Em regiões mais frias teve excelente resultado apresentando notas de maçã assada, rapas de limão-siciliano e aromas de baunilha provenientes das barricas de carvalho.

    Sémillon: Esses vinhos são ricos em aromas e encorpados com sabores de limão meyer, maçã golden e creme de avelã.

    Austrália

    A Austrália é conhecida pelo seu Syrah ou Shiraz como a Argentina é pelo Malbec. A Syrah adaptou-se muito bem na região, possui um estilo encorpado, defumado e frutado. Por ter diferentes áreas climáticas, oferece uma grande variedade de vinhos.

    Austrália Ocidental: tem clima moderado e é famosa pelos Chardonnay sem passagem em barricas. A uva Sauvignon Blanc também é uma das mais plantadas na região junto com a Cabernet Sauvignon, que nesta região é menos encorpado, com notas de frutas negras maduras e violeta, com acidez persistente.

    Região Meridional e Central: É a maior área produtora responsável pelos famosos Shiraz, Sémillon e Chardonnay defumados e encorpados.

    Nova Zelândia

    Chegamos na Nova Zelândia, uma região de clima fresco famosa pela produção de Sauvignon Blanc. Os vinhos em geral têm paladar ácido, elegante e corpo leve.

    A região com maior produção é Marlborough.

    Confira as outras: Baía de Hawke, Central Otago, Gisborne, Canterbury, Nelson, Wairarapa, Auckland, Baía de Plenty e Northland. Cada região é responsável pela produção de diferentes tipos de uvas. Vamos conferir as principais uvas produzidas em cada região?

    Sauvignon Blanc: o mais importante da Nova Zelândia oferece uma explosão de aromas de maracujá, limão e toranja. Muito encontrado nas regiões de Marlborough, Nelson e Baía de Hawke.

    Chardonnay: na Nova Zelândia essa uva apresenta intensos aromas de limão-siciliano e frutas tropicais. Possui acidez nítida é geralmente um toque de Carvalho que acrescenta notas de caramelo queimado e baunilha. Regiões produtoras: Baía de Hawke, Gisborne e Marlborough.

    Pinot Gris: produz tanto o estilo seco como também meio seco têm notas de maçã, pera e pão com especiarias. Essa uva pode ser encontrada nas regiões de Gisborne, Canterbury e Nelson.

    Riesling: os vinhos variam do extrasseco com notas de limão aos vinhos doces com aromas de damasco e mel. Regiões produtoras: Marlborough, Central Otago e Nelson.

    Pinot Noir: as uvas produzidas na região de Marlborough costumam oferecer notas de aromas de frutas vermelhas frescas, enquanto a região Central Otago produz vinhos com aromas de framboesa madura.

    Bordeaux Blend: com estilo frutado, leve, com aromas de cereja-negra madura, café e mix de especiarias. Regiões produtoras: Baía de Hawke, Northland e Auckland.

    Estados Unidos 

    Com três áreas, cada uma apropriada para estilos diferentes de vinhos. Vamos conhecer mais sobre essas três regiões.

    Costa Norte: nessa região estão os Vales do Napa e Sonoma, pode ser dividida em duas regiões climáticas: áreas costeiras mais
    frias e encontras e vales interiores mais quentes. Nesta vamos encontrar uvas como Cabernet Sauvignon, Zinfandel e Syrah. Na nas áreas costeiras podemos encontrar Pinot Noir, Chardonnay e Merlot.

    Costa Central: Essa região pode ser separada em duas regiões climáticas distintas: os vales costeiros, que recebem a névoa de manhã, e as zonas interiores quentes e secas. Nas áreas mais quentes como Santa Barbara, Paso Robles produzem Cabernet Sauvignon, Syrah e Zinfandel. Nas áreas mais frias como San Luis Obisco e Santa Bárbara as uvas mais encontradas são Pinot Noir, Chardonnay e Syrah

    Uruguai

    Uruguai não entra na lista dos maiores produtores de vinhos, mas por fazer divisa com o Brasil, acaba que você encontra opções disponíveis no mercado brasileiro.

    A uva Tannat, uma de minhas preferidas, é de origem francesa e adaptou muito bem no Uruguai, como a Malbec na Argentina.
    Por estar localizado na mesma Latitude dos vinhedos de Mendonza, Chile, África do Sul e Nova Zelândia, já demonstra ser um território propício para a produção de vinho.

    Regiões produtoras: Canelones, Colônia e Maldonado.

    Principais uvas tintas: Tannat, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Syrah.

    Principais uvas brancas: Chardonnay, Sauvignon Blanc, Sémillon e Viognier.

    Eu queria encerrar a coluna de hoje falando que cada país é responsável por muitas histórias. Muitos processos acontecem até a gente colocar a mão na garrafa, ler o rótulo, ficar curioso, levar para casa e poder provar se tudo aquilo faz sentido pra você! Conhecer a história do vinho vai te ajudar muito na hora de escolher um vinho.

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Avaliação
    Por favor digite seu comentário!
    Por favor, digite seu nome aqui