O cinema vai acabar?

    /por Gilberto Barreto

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    No início de dezembro passado, fomos surpreendidos pela Warner, um dos maiores estúdios de cinema do mundo, ao anunciar que todos os seus filmes programados para 2021, como “John Wick 4”, “Duna”, “Esquadrão Suicida 2”, “Matrix 4” – só para citar alguns -, serão lançados simultaneamente nos cinemas e no streaming. A decisão pegou Holywood de surpresa e demonstrou ser um golpe nos exibidores, que tentam se reerguer diante da pandemia de Covid-19.

    Então, diante desse anúncio, o cinema vai finalmente acabar?

    Não, o cinema não vai acabar, vai se transformar, isto é, já está se transformando. O streaming está se expandindo muito. Filmes como o blockbuster “Mulher Maravilha 1984” não está trazendo o público esperado para as salas de cinema.

    Todos tem medo de contágio, ainda mais numa sala fechada, em meio a pessoas desconhecidas, sentadas em cadeiras pré-determinadas pela gerência, muitas vezes separados de seus familiares e amigos, passando a ser uma experiência individual e egoísta. O jogo de hoje é o jogo do streaming, que tira o peso do flop, do fracasso da bilheteria.

    Quando um estúdio banca um filme não tem certeza se haverá lucro no cinema, por isso o grande investimento em publicidade com campanhas milionárias.

    A renda obtida nas bilheterias tem que ser repartidas entre os estúdios e os exibidores, e nas produções internacionais, como as americanas, a renda obtida nos cinemas do resto do mundo tem que ser repatriadas antes de chegar as contas dos estúdios, e certamente são atingidas por vários tipos de impostos praticados em cada país em que o filme foi exibido.

    Os estúdios sempre possuiram o monopólio de decidir o que seria exibido nos cinemas, deixando ao largo algumas produções de excelente qualidade perdidas no limbo do anonimato, mas felizmente, essas mesmas produções estão sendo resgatadas pelos streamings e colocadas em posição de destaque em seu line-up.

    No Brasil, nem 10% das cidades possuem salas de cinema. Por que o cinema tem que ser para mim? Por que o cinema tem que ser restritivo?

    O streaming necessita de internet e com o passar do tempo esse serviço estará em todos os lugares, diferentemente dos cinemas.

    Nós queremos cinema, mas na verdade, deveríamos querer que os filmes fossem vistos.

    Cinema é arte e como tal é para todo mundo, se não tenho sala de exibição, pago o serviço de streaming e tenho acesso a arte, e isso é o que importa. Se a arte for boa ela irá nos cativar.

    Por certo que a experiência de imersão do cinema é incomparável, mas a arte, sendo acessível, poderá cativar em qualquer circunstância, até mesmo assistindo a um filme numa tela de celular.

    Filmes como “Blade Runner”, “O Resgate do Soldado Ryan”, “Creed”, por exemplo, são tão brilhantes que até mesma numa exibição pouco convencional, não perdem a sua exuberância.

    Confesso que até a um bom tempo atrás, fui um pouco elitista, só conseguindo assistir a um filme em determinado local, e acabei esquecendo que fui cativado pela arte do cinema quando assistia aos filmes na programação da Globo num aparelho de televisão preto e branco de 14 polegadas.

    Como sugestão, talvez se as grandes redes de cinema cobrassem um pouco menos os produtos oferecidos na bomboniere e experimentassem flexibilizar a estratégia de manter as suas salas nos grandes shoppings e as levassem também para a rua, como antigamente, a experiência de assistir a um filme em uma sala apropriada retornasse com grande fôlego.

    2 COMENTÁRIOS

    1. Como você mesmo disse Gilberto, a experiência de assistir a um filme no cinema é incomparável. O cinema já esteve nessa situação antes. Lembra? Videocassete, tv a cabo, etc. Se nossa vida voltar a ser o que já foi antes, ele triunfará!
      Vida longa a tela gigante e a sala escura.

      (5/5)

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