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Revelar Cachoeiro: turismo rural muda a realidade dos moradores de São Vicente

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município. Cercado de belezas naturais e atrativos, os novos empreendimentos têm atraído cada vez mais turistas para a região.

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O turismo é uma realidade no distrito, que possui, além da sede, 12 comunidades: Alto São Vicente, Boa Vista, Santo Antônio do Cantagalo, Monte Verde, São José do Cantagalo, Independência, Usina São Miguel, Cachoeira Alta, Santa Luzia, Bom Jardim, Vargem Alegre e Fruteiras Quente. Cada uma das comunidades e a sede possuem uma igreja católica.

A Rampa do Camillo Pansini atrai esportistas de várias partes do Brasil, e está localizada abaixo da Pedra da Penha, principal ponto turístico de São Vicente. Além disso, as cachoeiras são outros pontos que atraem os visitantes. Existem três no distrito: Cachoeira Alta, Cachoeira de Bom Jardim e Cachoeira do Bocó.

De olho nesses turistas, os moradores do distrito investem em restaurantes e pousadas, para atrair esses visitantes e fomentar o turismo rural e esportivo.

São Vicente foi o último roteiro dessa primeira etapa do Revelar Cachoeiro de Itapemirim. O projeto é idealizado pelo AQUINOTICIAS.COM, com o apoio da Prefeitura de Cachoeiro, Sebrae, Sicoob Sul, Unimed Sul Capixaba e Selita.

Pedra da Penha é um atrativo do turismo rural

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

O principal atrativo de São Vicente é a Pedra da Penha. O ponto mais alto de Cachoeiro de Itapemirim está localizado a 1.114 metros de altitude e chega a reunir mais de 300 pessoas nos fins de semana, que buscam o topo da montanha. Do alto, é possível avistar todo o Sul do Espírito Santo.

O local guarda histórias de fé e religiosidade. O produtor rural Angelin João Pancini conta que o monumento natural é visitado por turistas há mais de 100 anos. “Meu avô comprou o terreno, em 1918, junto com os irmãos. Eram 72 alqueires de terra. Em 1921, fizeram a medição das terras e, para isso, foram no alto da pedra. Eles acharam tudo muito bonito. Meu avô foi para a Itália e trouxe a imagem de Nossa Senhora da Penha e, desde então, o local recebe visitantes”, conta.

Angelin conta que receber os turistas tem mudado a forma de os moradores pensarem sobre o turismo rural. “Minhas filhas estão animadas e gosto de incentivar. Acho que esse é o meu trabalho”, completa.

Trilha para a pedra tem 30 minutos de caminhada

Boa parte do percurso para subir a Pedra da Penha pode ser feito de carro. É possível chegar até o início da trilha. Depois, o caminho é feito a pé. A subida requer alguns cuidados, mas nada que atrapalhe apreciar a vista. Algumas pausas são necessárias para o descanso, já que a subida é íngreme e exige muito esforço físico.

Como a trilha é pela mata, o clima é agradável a qualquer hora do dia. Mas o indicado, se for descer no mesmo dia, é não subir muito tarde, para evitar ter de fazer a trilha no escuro.

No topo da pedra, Nossa Senhora da Penha recebe os visitantes que vão até o local para agradecer ou pagar promessas. Quem chega ao topo precisa conhecer o mirante, que oferece uma visão ainda mais privilegiada do Sul do Estado.

O percurso é feito por uma trilha curta. Para subir, aproveitar a vista e descer da Pedra da Penha, o visitante gasta uma média de duas horas.

Conheça mais: @pedradapenhaoficial

Turismo rural incentiva novos empreendimentos

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

Atentos para o aumento da procura por visitas na comunidade, os moradores já focam no turismo rural, o que tem atraído ainda mais pessoas ao local. Um desses locais é o Chalé Arcangelluz, administrado pelas irmãs Alessandra e Simone Fávero. O restaurante, cuidadosamente mantido por elas, é um dos atrativos de São Vicente e chega a receber mais de 150 pessoas aos domingos.

“Já moramos aqui. Saímos e voltamos. Mas não víamos o local como vemos hoje. Abrimos nossos olhos para a natureza linda que temos aqui, como a Pedra da Penha. É incrível o que Deus proporciona para nós. Isso nos deu ânimo e gás para trabalhar com turismo”, comenta Alessandra.

Alessandra morava em Cachoeiro há muitos anos e decidiu largar a vida na cidade e retornar a São Vicente, após o convite da irmã. Simone já possuía o chalé para sua família, e decidiram abrir o espaço para o público. “Temos uma equipe muito especial. Já estamos investindo na hospedagem. Somos muito felizes trabalhando com o turismo rural”, continua Simone.

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

As irmãs acreditam na força do turismo rural e querem continuar explorando esse ramo. Segundo elas, essa é a oportunidades que as mulheres, produtoras rurais, também têm de ajudar na renda familiar.

Irmão também investe em turismo rural

O irmão de Alessandra e Simone, o produtor Nivaldo Fávero também está investindo no turismo rural. Ele e a esposa Luzimar trabalham há mais de 15 anos na agroindústria de produção de palmito. Na atividade, eles produzem e abastecem todos os restaurantes de Cachoeiro de Itapemirim.

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

Em sua propriedade, em Alto São Vicente, Nivaldo construiu uma nova casa para família. Depois de pronta, viu o imóvel como uma oportunidade para alugar para turistas. O chalé de 60 metros quadrados possui dois quatros, sala, cozinha e um deck com uma visão privilegiada de Cachoeiro.

Nivaldo espera começar com a hospedaria ainda neste ano, e corre para finalizar os projetos na propriedade.

Conheça mais: @chalearcangelluzoficial

Rampa de voo livre atrai pilotos de todo o país

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Reprodução

Para quem gosta de esportes radicais, uma boa pedida em São Vicente é visitar a Rampa Camillo Pansini. O local está localizado embaixo da Pedra da Penha e oferece uma visão panorâmica do Sul do Espírito Santo.

O produtor rural Camillo Pansini sempre foi um incentivador do esporte de aventura e idealizou o turismo rural na região. Foi dele a ideia de iluminar o cruzeiro do alto da Pedra da Penha e, há mais de 40 anos, retirou alguns pés de café de onde hoje está a rampa, para o primeiro voo de asa delta.

Atualmente, a Rampa Camillo Pansini recebe pilotos da região e de outros Estados brasileiros. No local, também há uma escola de voo, comandada pelos pilotos Denilson Abílio Espavier e Ronaldo Granzieli, o ‘Taquaral’. E são os próprios moradores do distrito os que mais procuram pelas aulas.

Aos fins de semana, o local recebe mais de 30 pilotos e o público que gosta de acompanhar o esporte.

Ponto de apoio aos pilotos e visitantes

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Ronaldo Taquaral

E quem quer visitar e passar um dia agradável na Rampa do Camillo Pansini não precisa se preocupar com alimentação. Embaixo da rampa há o Bar Camping das irmãs Patrícia e Bruna Pancini. Além de boa comida, o local dispõe de uma piscina para banhos e locais para descanso. Isso tudo com um visual de tirar o fôlego.

Patrícia estava fora do distrito por anos e, ao retornar, viu o turismo rural como uma fonte de renda e uma forma de mostrar o potencial turístico de São Vicente. “Sempre fui encantada com esse lugar, com a Pedra da Penha, o pôr do sol. Sempre achei tudo aqui muito lindo, mesmo sendo do local. As pessoas falam que Cachoeiro é quente e sempre falo que passo frio morando em Cachoeiro. Estamos nas montanhas da cidade, que as pessoas estão começando a conhecer agora”, ressalta.

Além do bar e restaurante, Patrícia oferece serviço de camping. Aos fins de semana, o local é muito procurado por quem quer silêncio e tranquilidade em meio à natureza. O local é apoio para os pilotos e visitantes, e também para quem vai subir a Pedra da Penha.

Conheça mais: @barecamping­_pedradapenha_

Cachoeiras de São Vicente encantam turistas

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

A região também possui belezas naturais, que encantam os visitantes. No distrito existem três cachoeiras, que atraem centenas de turistas no verão.

Uma delas é a Cachoeira Alta, que tem uma queda de 100 metros de altitude. Suas águas puras e cristalinas, com nível baixo de profundidade, ou seja, são perfeitas para o banho de crianças e adultos.

Em seu interior, por trás das rochas, a cachoeira esconde fendas onde habitam milhares de andorinhas pretas que, quando saem em revoada, produzem ruído que se confunde com o barulho das águas.

A entrada da cachoeira é por uma propriedade privada e, por isso, há cobrança de uma taxa de cinco reais, e não é permitido entrar com bebida no local.

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

A Cachoeira do Bocó é outro atrativo da região. A cachoeira de águas cristalinas deságua em uma piscina, que recebe bem adultos e crianças. No local, há um bar para atender os visitantes.

A Cachoeira de Bom Jardim é outra opção de São Vicente para se refrescar. A cachoeira tem uma queda d’água curta, de cerca de nove metros, e uma boa área para banho, além de espaço para piqueniques e churrascos.

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

No entorno há um bar com opções de comida e bebida para os visitantes. A cachoeira fica dentro de uma área privada, mas não é necessário pagar para ter acesso. Entretanto, não é permitido entrar com bebidas no local.

Um pouco acima da Cachoeira de Bom Jardim, no Sítio Santo Antônio, há hospedagem. No entanto, o local abriga os praticantes de esportes radicais na Pedra da Onça e da Rampa do Camillo Pansini, e não atende visitantes e turistas da região. Ozília Grancieri Vinco começou em 2009 recebendo praticantes de base jump, e hospeda pilotos de vários países.

São Vicente possui 13 igrejas católicas

https://www.youtube.com/watch?v=013pN97-uGA
Foto: Alissandra Mendes

O distrito de São Vicente possui, além da sede, 12 comunidades, e em cada uma delas há uma igreja católica. Muitos turistas que procuram a região, aproveitam o passeio para conhecer o roteiro, que reúne religiosidade e fé.

A imagem de Nossa Senhora da Penha foi colocada no topo da Pedra da Penha há mais de 100 anos, como agradecimento e prova de fé dos moradores. Hoje, o local recebe muitos fieis para pagar promessas ou agradecer nossa senhora.

Conhecer o distrito inclui conhecer também esse roteiro religioso, que começa logo na comunidade da Usina São Miguel. Lá está a igreja católica de São Miguel Arcanjo. A igreja de Nossa Senhora da Penha está localizada na comunidade de Fruteiras Quente.

Na comunidade de Cachoeira Alta, além da cachoeira, a Igreja Nossa Senhora das Neves chama a atenção de quem passa pela estrada. O sino e o coreto encantam moradores e visitantes.

Na comunidade de Santo Antônio do Cantagalo encontra-se a igreja de Santo Antônio, que está localizada na estrada principal de acesso à São Vicente. Também às margens da estrada, a igreja de Santa Luzia, na comunidade de Santa Luzia, encanta pela beleza.

A igreja de São Vicente de Paula está localizada na sede do distrito, no centro de São Vicente, e sua construção fascina pelos detalhes. Na comunidade de São José do Cantagalo, encontramos a igreja de São José.

Roteiro de turismo e fé

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

Na comunidade de Independência, a igreja de São Francisco de Assis atrai os olhares de quem passa pela estrada. Na Comunidade Quilombola de Vargem Alegre, a igreja de São Sebastião mantém a tradição católica e cultural do local.

Além da cachoeira, a comunidade de Bom Jardim tem a igreja Nossa Senhora da Penha, localizada no centro da localidade, como um dos atrativos. Em Monte Verde, os fiéis podem conhecer e visitar a igreja Nossa Senhora das Graças.

Em Boa Vista, mais uma comunidade tradicionalmente católica de São Vicente, a igreja São Luiz Gonzaga atrai fiéis e visitantes por sua história e encanto. Com uma visão privilegiada da Pedra da Penha, a igreja Nossa Senhora Auxiliadora, da comunidade de Alto São Vicente é a última para quem chega aos pés da Pedra da Penha e tem um visual panorâmico de Cachoeiro de Itapemirim.

Centro de apoio aos turistas e moradores

https://www.youtube.com/watch?v=ggBPeUpgamY
Foto: Alissandra Mendes

São Vicente reúne diversas atrações e o turismo rural na região tem mudado a realidade dos moradores. A Pedra da Penha, procurada por muitos turistas aos fins de semana, e a Rampa do Camillo Pansini, que reúne cerca de 30 pilotos na alta temporada. Além da Cachoeira Alta, Cachoeira do Bocó e Cachoeira de Bom Jardim, que encantam os visitantes.

Os empreendimentos também chamam a atenção no local. Atentos ao momento, os moradores estão investindo em suas propriedades e se capacitando para receber os turistas. Os moradores reformam casas para transformá-las em pousadas.

O turismo rural já é a realidade das comunidades de São Vicente. Um dos grandes incentivadores desse projeto e das iniciativas da população da região, é o atual presidente da Associação de Moradores da Boa Vista, Jovandir Felippe.

Há anos, ele busca melhorias das estradas do distrito e obras que atendam melhor os moradores e os turistas. “Precisamos ter empreendimento, precisamos ter estrada e precisamos nos preparar para receber melhor os turistas. Esse centro de apoio é voltado para o visitante, mas também para a comunidade”, completa.

A estimativa é entregar a obra até o fim deste ano. O prazo foi prorrogado por conta da pandemia.

Comunidade Quilombola mantém viva as tradições

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto Alissandra Mendes

São Vicente também mantém viva suas histórias e tradições culturais. Na propriedade do Sr. Angelin Pansini existem construções e muros feitos por escravos. Os moradores da região não sabem ao certo a história, mas preservam essas construções da região. Na propriedade ao lado, da irmã do Sr. Angelin, Terezinha Pansini, uma caverna de pedras também é um registro do tempo da escravidão na região.

Muitas dessas histórias são desconhecidas pelos moradores, mas na região há casarões que remetem à época das fazendas que mantinham escravos. Hoje, as que permanecem de pé estão passando por restauração para receber hóspedes, que buscam conhecer a região.

Falar da história e das tradições culturais de São Vicente nos remete à Comunidade Quilombola de Vargem Alegre. Com quase 150 anos de existência, a comunidade já teve mais de 40 famílias. O número hoje é menor, mas os moradores, que vivem basicamente da agricultura, mantém viva essa tradição.

Tradição mantida ao longo dos anos

Às margens do rio Fruteiras, a Comunidade Quilombola faz parte da Rota dos Vales e do Café e tem a família Caetano como referência em sua criação. O produtor rural Luiz José Caetano conta que seu bisavô, Canuto Luiz Caetano, desbravou a região e iniciou a comunidade.

O distrito de São Vicente, localizado a 40 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, tem se tornado um dos principais roteiros do turismo rural no município
Foto: Alissandra Mendes

A população mantém algumas de suas tradições, como o Caxambu, uma expressão popular afro-brasileira que integra percussão de tambores, dança coletiva e elementos de espiritualidade. Originalmente, era praticada nas senzalas. Mas, com a abolição da escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888, começou a ser realizada ao ar livre, sempre ao lado de uma fogueira, para afinar os tambores, chamados de caxambus, e iluminar e aquecer as noites.

Para conhecer a história Caxambu de Vargem Alegre, é preciso também conhecer o ícone dessa tradição, a saudosa Canuta Caetano, a Dona Canutinha, que faleceu em dezembro de 2019. Durante toda a sua vida, lutou por sua comunidade e exerceu a função de mestre do caxambu Alegria de Viver.

Dona Canutinha deixou seu legado, e as tradições culturais de Vargem Alegre são mantidas pelos seus familiares. Anualmente, a comunidade celebra a abolição da escravatura, uma semana antes do dia oficial, em 13 de maio, com missa afro e apresentações de caxambu, além de oferecer feijoada para os grupos presentes e visitantes. A tradicional festa é realizada pela comunidade há mais de 100 anos.

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